Surge “O Monstro da Lagoa Rodrigo de Freitas”

Livro aborda história urbana através do terreno insólito do extraordinário

O autor deste livro do qual falaremos agora, Gilberto Loureiro, criou contos tipicamente cariocas neste seu novo livro – "O Monstro da Lagoa Rodrigo de Freitas", obra que pertence à linha do extraordinário – como explica o prefácio assinado por João Antônio.
E a cada nova leitura desses contos se poderá chegar a outras interpretações. o fantástico é o universo do autor, que localiza no Rio de Janeiro urbano a maioria de seus contos. A Lapa carioca e seus bares, botequins, hotelecos, sinucas, o carisma de uma boêmia ainda hoje resistente, apesar do computador, dos assaltos, da Aids, ou a ralé do centro da cidade ou os ambientes da chamada classe média mais abonada, a Lagoa Rodrigo de Freitas, por exemplo.



Imprimindo estilo cinematográfico – o qual não era de se esperar ao contrário, já que fazem parte de sua história participações como roteirista de clássicos do cinema nacional, como “Os Sete Gatinhos” – Gilberto apresenta o elemento sedutor, fundamental ao conto: a fabulação das histórias é rica e movimentada e os cortes do tal estilo cinematográfico funcionam, tonificam o fluxo das tramas. Todo esse aparente absurdo torna se normal. Porque, em síntese, esses contos de Gilberto Loureiro são para ser lidos e não, exatamente, para que alguém teorize sobre eles. "O Monstro da Lagoa Rodrigo de Freitas" resulta num todo tecido com harmonia e há uma coerência na ordem de entrada dos contos. São histórias para o prazer da leitura, em primeiro lugar. Depois, se prestam à especulação sem limite e tão diversificada da interpretação – completou João Antonio.
“Os jornais noticiaram o ocorrido com manchetes variadas, tais como: “MAIS UMA VÍTIMA NA LAGOA”, “CRIMES DO PEDALINHO CONTINUAM”, “POLICIAL ESQUARTEJADO NA ZONA SUL”, etc. Um dos periódicos mais sensacionalistas publicou na primeira página em letras garrafais: “MORRE A TERCEIRA VÍTIMA DO MONSTRO”. Seguiam-se especulações e hipóteses mirabolantes. Em dado momento, o articulista chega a fazer comparações com o monstro de Lock-Ness. Em outro, aventa a possibilidade de um tubarão estar vivendo nas águas da lagoa. Cita ainda a hipótese de uma articulação política com intuito de desmoralizar o prefeito, o governador, e muitas outras baboseiras. A polícia, completamente desnorteada, intensificou as buscas, utilizando várias embarcações e mergulhadores. Os passeios de pedalinho foram proibidos. Assim com esquiadores, remadores e pescadores. Helicópteros passaram a sobrevoar o local, incessantemente, na busca de uma solução para os acontecimentos. Todas as providências resultaram infrutíferas. Nada de concreto foi descoberto ou encontrado, nenhum monstro ou animal predatório avistado. Nada.” – diz o texto de Gilberto Loureiro. Brasileiro, carioca, morador de Copacabana, autor e roteirista de cinema, teatro e televisão.
Como diretor de cinema, realizou o filme de longa metragem “Noite”, ganhador de vários prêmios em festivais brasileiros e que também representou o Brasil no festival de Berlin, além de vários curtas também premiados. Como roteirista de cinema adaptou textos como: A Estrela Sobe, de Marques Rebelo; Os Sete Gatinhos, de Nelson Rodrigues, Barrela, de Plínio Marcos; Noite, de Érico Veríssimo e vários outros.

Comentários